12/04/2026
Reunião em Paranaíba (MS) fortalece conexão entre os comitês da bacia do Paranaíba
GERAL
Encontro discutiu a revisão do Pirh, os programas estruturantes e o papel do trabalho conjunto na construção de caminhos para toda a bacia.
No dia 9 de abril, os membros da Câmara Técnica de Integração do CBH Paranaíba desembarcaram em Paranaíba (MS) para uma reunião guiada por uma ideia simples e decisiva para a bacia: rio não respeita divisa. Quando a água segue sem barreiras entre estados, os comitês também precisam trabalhar conectados.
Foi com esse pano de fundo que a 26ª reunião da Câmara Técnica de Integração reuniu o Comitê Federal e os 9 comitês afluentes em torno de temas centrais para o presente e o futuro da bacia, como a revisão do Plano Integrado de Recursos Hídricos, os Programas Estruturantes, a comunicação entre os comitês e a construção de agendas integradas.
Logo na abertura, o encontro ganhou um primeiro mergulho no território anfitrião. Representante do CBH Santana e Aporé, Claudete Bruschi apresentou um panorama da gestão de recursos hídricos em Mato Grosso do Sul e trouxe aspectos da atuação do Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul (Imasul). A fala ajudou a situar os participantes sobre a realidade local e reforçou um ponto que atravessou toda a reunião: a água circula por uma bacia compartilhada, e a gestão precisa acompanhar essa dinâmica.
Essa lógica apareceu de forma clara nas discussões sobre integração. Ao longo da reunião, o presidente do CBH Paranaíba e coordenador da Câmara Técnica, João Ricardo Raiser, insistiu em um ponto que ajuda a entender o sentido do encontro. “Não é sobre o comitê do rio Paranaíba, mas a bacia do rio Paranaíba. É ela que queremos e trabalhamos para transformar”, afirmou.
A frase ajuda a tirar o debate do campo abstrato. Em uma bacia que abrange Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, cuidar da água exige conexão entre territórios, instituições e decisões. Fortalecer a governança da bacia, nesse cenário, significa fazer com que os comitês conversem melhor, planejem juntos e construam respostas que façam sentido para o conjunto do território.
João Ricardo resumiu essa ideia em outra fala que ganhou força ao longo da reunião: “O comitê federal não tem território. Nosso território é o território dos afluentes”. A observação sintetiza o papel do CBH Paranaíba nesse arranjo. Suas ações acontecem dentro das áreas dos nove comitês afluentes, o que exige presença constante, alinhamento e compromisso compartilhado.
Em uma reunião voltada à integração, o processo de revisão do Plano Integrado de Recursos Hídricos ocupou naturalmente o centro da conversa. Com investimento do CBH Paranaíba, o trabalho vem sendo construído de forma conjunta pelo Comitê Federal e pelos 9 comitês afluentes, desenhando a base que deve orientar os próximos passos da gestão das águas na bacia.
O que está em curso não é apenas a atualização de um plano, mas a construção de um documento de referência para organizar prioridades, orientar decisões e dar unidade ao trabalho em toda a bacia. A expectativa do Comitê é que essa revisão fortaleça a articulação entre os comitês e ajude a transformar o planejamento em uma base real para ações construídas em conjunto.
Vice-presidente do CBH Paranaíba, Fábio Bakker defendeu que o plano de ação em elaboração precisa nascer desse esforço conjunto e ser assumido pelos afluentes como parte de uma construção compartilhada. “Nosso objetivo final não é a ação. É alavancar uma mudança, oportunidades de novos investimentos para a bacia”, afirmou.
O foco, nesse caso, está na capacidade de transformar o planejamento em articulação duradoura entre os comitês.
Durante sua apresentação, Fábio citou um exemplo que levou essa discussão para o campo prático. Ao comentar o processo de enquadramento, mencionou como uma observação da Saneago (GO) teve peso nas ponderações ligadas à Adasa (DF). O caso mostra que análises e decisões produzidas em um trecho da bacia podem influenciar o que acontece em outro.
Fábio também apresentou aos membros da Câmara Técnica a lógica por trás dos Programas Estruturantes, pensados para reunir e organizar diferentes frentes de atuação do Comitê em bases mais claras e consistentes. A proposta parte do entendimento de que ação não se resume a investimento direto. Passa também pela capacidade de induzir projetos, orientar prioridades e criar referências para o trabalho no território.
Nesse desenho, os Programas Estruturantes aparecem como guias para fortalecer a atuação do CBH Paranaíba e, ao mesmo tempo, servir de apoio aos comitês afluentes em seus próprios caminhos. Ao abrir essa discussão com a Câmara Técnica, Fábio colocou essa construção também à disposição dos afluentes, de acordo com suas realidades e necessidades, ampliando as possibilidades de integração dentro da bacia.
Ao longo da reunião, outro ponto foi reforçado: integração exige responsabilidade compartilhada. Foi nesse contexto que João Ricardo fez um apelo direto aos comitês afluentes para que se envolvam de forma efetiva na construção do plano de ação integrado. “Os afluentes não devem só participar. Todos precisam se responsabilizar, tanto pelo processo de revisão do plano quanto pela gestão da bacia”, disse.
A pauta da 26ª reunião incluiu ainda alinhamentos sobre comunicação entre o CBH Paranaíba e os afluentes, debates sobre eventos integrados e informes gerais. No dia 10 de abril, a programação continuou com visita técnica à Unidade CGH Minosa, à ETA Sanesul e à Estância Alencastro, aproximando os participantes de estruturas e experiências do território.
Ao fim dos dois dias, a reunião em Paranaíba deixou uma mensagem clara: fortalecer a conexão entre os comitês da bacia é criar condições para decisões mais consistentes, mais próximas da realidade do rio e mais capazes de produzir efeitos ao longo de todo o Paranaíba.