10/08/2026
Workshop do Laboratório Móvel de Irrigação apresenta resultados e aponta caminhos para mais eficiência na produção de café
GERAL
No dia 6 de agosto, Monte Carmelo (MG) recebeu o Workshop do Laboratório Móvel de Irrigação (LMI), iniciativa que vem aproximando a gestão de recursos hídricos da realidade dos produtores rurais e buscando soluções para o uso mais eficiente da água na agricultura. Durante o encontro, foram apresentados os resultados dos diagnósticos realizados em 125 propriedades cafeeiras da área de atuação da monteCCer, no Alto Paranaíba Mineiro.
Os dados revelaram oportunidades importantes de melhoria nos sistemas de irrigação e demonstraram que ganhos ambientais e produtivos podem caminhar juntos. Entre os resultados apresentados estão a possibilidade de economizar de 11% a 16% de água, com a correção da uniformidade da irrigação até a meta estabelecida pelo projeto; de alcançar até 28% de economia de energia, considerando a combinação entre a melhoria da uniformidade e a eficiência das motobombas; e de obter até 5% de aumento de produtividade, com a elevação da eficiência de uso da água de 81% para 90%.
O estudo também apontou uma redução estimada de 11% a 16% no uso de fertilizantes por meio da fertirrigação, acompanhando a economia de água proporcionada pela melhoria da eficiência dos sistemas.
Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba (CBH Paranaíba), Fabio Bakker, os resultados apresentados durante o workshop demonstram, na prática, o potencial de uma iniciativa inovadora como o LMI para contribuir tanto com a produção agrícola quanto com a gestão dos recursos hídricos.
“Se a gente adotar as práticas identificadas pelo Laboratório Móvel de Irrigação, a gente estaria trazendo um ganho de produtividade que pode chegar a 5%, economias de energia em torno de 10% a 15% e eficiência no uso da água de até 15%”, destacou.
Fabio ressaltou ainda que os diagnósticos oferecem ao sistema de gestão de recursos hídricos informações que podem orientar novas ações e investimentos, especialmente na busca por maior eficiência nas propriedades rurais. Entre as oportunidades identificadas estão ajustes e modernização de motobombas e melhorias no funcionamento dos sistemas de irrigação.
Segundo ele, a aproximação entre os usuários da água e os organismos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos é fundamental para conciliar os diferentes usos da água na bacia.
“A aproximação dos usuários da agricultura, do sistema de gerenciamento e gestão de recursos hídricos é fundamental para que a gente garanta todos os usos, para que a gente garanta produção de alimento, disponibilidade hídrica para abastecimento das cidades, para as indústrias, para a agricultura e para o meio ambiente.”
O presidente do CBH Paranaíba avaliou que os resultados posicionam a bacia como referência na integração entre produção agrícola e gestão hídrica. Para ele, o LMI passa a oferecer ao poder público, aos produtores e ao sistema de comitês informações capazes de apoiar decisões mais eficientes. “Hoje, olhando para os seus resultados, a gente tem segurança de que está oferecendo à sociedade dados que são capazes de melhorar e ganhar não só eficiência, mas produtividade no café do Triângulo Mineiro.”
Diagnóstico transforma dados em soluções para o produtor
Consultor do Laboratório Móvel de Irrigação, professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e secretário do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros do Alto Paranaíba (CBH Amap), Eusímio Fraga explicou que o diagnóstico buscou compreender os principais fatores que interferem na eficiência da irrigação e seus impactos sobre a produção cafeeira.
De acordo com o professor, o café é uma cultura de grande importância para a região e que responde positivamente à irrigação. Entretanto, quando o sistema não opera adequadamente ou as decisões sobre o manejo não são baseadas em informações precisas, o produtor pode não ter clareza sobre a eficiência do que está sendo realizado.
O levantamento realizado pelo LMI permitiu cruzar informações de mais de uma centena de propriedades, identificar os principais gargalos dos sistemas de irrigação e relacioná-los a conhecimentos já consolidados pela comunidade científica.
“Hoje nós podemos, com a informação obtida aqui para essa região, afirmar o impacto da ineficiência na produtividade do café, na economia de água e na economia de energia”, afirmou Eusímio.
Mais do que apontar problemas, o diagnóstico também permite indicar os caminhos para que cada propriedade alcance melhores níveis de eficiência. Segundo o professor, os resultados ajudam o produtor a compreender quando é possível corrigir o sistema por meio de ajustes de manejo e manutenção e quando são necessários investimentos para substituição ou modernização de equipamentos.
“O principal é quais são os mecanismos que o produtor deve implementar para cada situação de ineficiência, para que ele consiga ter êxito trazendo seu sistema para uma eficiência adequada.”
Gestão da água e produção caminham juntas
A experiência apresentada em Monte Carmelo reforça uma das principais premissas do Laboratório Móvel de Irrigação: melhorar a eficiência no uso da água não significa apenas reduzir o consumo de um recurso natural, mas também criar condições para que o produtor utilize melhor seus recursos e potencialize sua produção.
Ao transformar informações técnicas coletadas diretamente nas propriedades em diagnósticos e recomendações, o LMI cria uma ponte entre conhecimento, gestão de recursos hídricos e atividade agrícola. Os resultados apresentados no workshop mostram que medidas relativamente simples, quando identificadas e aplicadas de forma adequada, podem representar impactos relevantes para a sustentabilidade da produção.
O encontro também reuniu representantes de associações e cooperativas agrícolas, sindicatos rurais, autoridades, produtores e membros de outros comitês de bacias hidrográficas, ampliando o diálogo sobre o uso eficiente da água e a importância da irrigação para a produção regional.
Para o CBH Paranaíba, os resultados apresentados representam também uma oportunidade de fortalecer a integração entre o sistema de gestão de recursos hídricos e o setor produtivo, utilizando dados concretos para orientar ações capazes de contribuir para a segurança hídrica e para o desenvolvimento sustentável da bacia.
Em Monte Carmelo, o LMI mostrou que produzir mais e usar melhor a água podem fazer parte da mesma estratégia — e que a eficiência começa quando o produtor passa a ter informação para tomar decisões mais precisas.
