27/05/2026
Investimento na ETE de Anápolis mostra como a gestão da água impulsiona o desenvolvimento do território
GERAL
Com investimentos da Saneago e recursos da cobrança pelo uso da água direcionados pelo CBH Paranaíba, ampliação da ETE melhora a qualidade da água no Ribeirão das Antas e fortalece o desenvolvimento de Anápolis
Uma obra de saneamento não termina na estação de tratamento nem na água que volta ao rio. Quando a água é tratada como parte do planejamento de uma cidade, ela também chega às atividades produtivas, aos empregos, à renda e à vida das pessoas.
É essa dimensão que a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto de Anápolis, em Goiás, ajuda a revelar. A partir da parceria entre o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba (CBH Paranaíba) e a Saneamento de Goiás (Saneago), uma ação voltada à melhoria da qualidade da água no Ribeirão das Antas se desdobra em uma iniciativa com reflexos diretos no desenvolvimento econômico e social do município.
Nesta semana, representantes do Comitê e da Saneago acompanharam parte da instalação dos equipamentos de desinfecção por tecnologia ultravioleta na estação. A aquisição e instalação dos equipamentos contam com cerca de R$ 4 milhões do CBH Paranaíba, com recursos da cobrança pelo uso da água, dentro de um projeto mais amplo conduzido pela Saneago, que reúne R$ 73,4 milhões para a ampliação da ETE.
Segundo informações técnicas da Saneago, a tecnologia integra o sistema de tratamento terciário por luz ultravioleta e deve elevar a eficiência da estação para até 98% na remoção de matéria orgânica e patógenos, além de possibilitar a eliminação de coliformes presentes nos efluentes tratados. O projeto também possibilita duplicar a capacidade de tratamento da Estação de 400 para 800 litros por segundo. Além de contemplar cerca de 130 quilômetros de redes coletoras nas bacias dos Ribeirões das Antas e Felizardos, com previsão de expansão de mais 200 quilômetros nos próximos ciclos de obras.
Para a Saneago, a ampliação da ETE de Anápolis foi planejada para acompanhar o crescimento do município e ampliar os benefícios do saneamento para a população e para o Ribeirão das Antas.
“A instalação da tecnologia ultravioleta representa um avanço importante na qualidade do tratamento realizado na estação. Com esse conjunto de intervenções, Anápolis ganha uma estrutura mais eficiente, preparada para atender a cidade e contribuir para a recuperação de um curso hídrico fundamental para o município”, afirmou João Paulo Lima, engenheiro civil da Saneago e fiscal do contrato.
O Ribeirão das Antas é o principal curso hídrico da área urbana de Anápolis, com aproximadamente 27 quilômetros de extensão. Afluente do Rio Corumbá, que integra a Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, ele tem papel central na dinâmica ambiental e produtiva do município.
Para o presidente do CBH Paranaíba, João Ricardo Raiser, acompanhar a instalação dos equipamentos é ver a gestão da água se transformar em resultado concreto para a bacia.
“Estar em Anápolis e acompanhar essa etapa da obra é muito significativo para o Comitê. Estamos falando de uma estrutura de porte único no Brasil, com tecnologia ultravioleta aplicada em uma escala pioneira no tratamento de esgoto. Isso mostra que a inovação também é uma aliada da água e que o Comitê tem buscado apoiar soluções capazes de gerar benefícios concretos para os rios, para as cidades e para a população”, destacou.
A melhoria da qualidade da água no Ribeirão das Antas contribui para reduzir pressões sobre o abastecimento urbano, apoiar a continuidade de atividades produtivas relevantes e evitar que conflitos pelo uso da água se instalem no território. Segundo João Ricardo, esse é um dos principais sentidos da participação do Comitê na obra: atuar antes que os problemas cheguem ao limite.
“A gestão da água não pode acontecer apenas quando o conflito já está instalado. Quando o Comitê participa de uma ação como essa, ele está exercendo seu papel de governança e articulação. É uma forma de criar condições para que o desenvolvimento continue acontecendo com responsabilidade”, afirmou.
A participação do CBH Paranaíba também ajudou a antecipar os ganhos de qualidade previstos para o Ribeirão das Antas. A partir da articulação com a Saneago, a ampliação da ETE, inicialmente projetada para os próximos anos, começou a avançar em 2024 e chega a uma nova etapa em 2026, antecipando em cerca de cinco anos os resultados esperados para esse trecho.
A iniciativa também mostra como os instrumentos de gestão podem funcionar juntos. A aplicação dos recursos da cobrança pelo uso da água contribui para viabilizar avanços relacionados ao enquadramento do Ribeirão das Antas, instrumento que define a qualidade desejada para o corpo hídrico a partir dos usos previstos para aquele trecho.
“Aqui nós vemos uma decisão coletiva fortalecendo outra. O Comitê decide aplicar recursos da cobrança em uma obra estratégica e essa escolha contribui para dar consequência ao enquadramento do corpo d’água. Quando isso acontece de forma articulada, o resultado não aparece apenas no rio. Ele aparece também na cidade, na economia, nos empregos e na qualidade de vida da população”, ressaltou João Ricardo.
A ampliação da ETE de Anápolis mostra que saneamento, tecnologia, planejamento e desenvolvimento não são agendas separadas. Quando diferentes instituições se articulam em torno da água, uma obra localizada em uma estação de tratamento pode influenciar o futuro de um município inteiro e gerar reflexos para toda a Bacia do Rio Paranaíba.